Em outubro, Brasil registra maior ingresso de dólares em 17 meses
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A entrada de dólares na economia brasileira superou a retirada de recursos no país em US$ 6,92 bilhões em outubro, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (5). Somente na semana passada, US$ 3,89 bilhões entraram no país.

De acordo com a autoridade monetária, foi o maior ingresso líquido de recursos na economia brasileira, para um mês fechado, em 17 meses, ou seja, desde maio de 2013 ? quando foi registrado o aporte de US$ 10,75 bilhões no Brasil.

Já o resultado parcial de 2014 ficou mais superavitário ainda em dólares. No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, US$ 8,27 bilhões entraram na economia brasileira. No mesmo período do ano passado, houve retirada de US$ 6 bilhões do Brasil.

Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação, e a conta financeira, que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos (parcelas dos lucros) e empréstimos tomados no exterior, entre outros.

Segundo o BC, a entrada de dólares do Brasil superou a saída da moeda estrangeira do país, pela conta financeira, no valor de US$ 5,41 bilhões em outubro. Pela conta comercial, informou o BC, entraram US$ 1,51 bilhão do país no mês passado.

Impacto no dólar
A entrada de recursos registrada no mês passado favoreceria, em tese, a queda do dólar. Isso porque, com mais moeda norte-americana no mercado, seu preço tenderia, teoricamente, a ficar menor. O dólar registrou, porém, alta em outubro. No final de setembro, a moeda norte-americana estava cotada em R$ 2,44, passando para R$ 2,47 no fechamento de outubro.

A alta ocorrida no mês passado aconteceu basicamente por conta da movimentação da última sexta-feira (31) - quando a moeda norte-americana avançou 2,95%, a maior elevação diária desde novembro de 2011, após o anúncio de que as contas públicas registraram, em setembro, o pior resultado da história.

Além do fluxo de dólares, outros fatores também influenciam a cotação do dólar no Brasil. Entre elas, estão o comportamento da economia norte-americana e das as sinalizações sobre a política monetária nos Estados Unidos.

Os indicadores da economia brasileira, que pioraram nos últimos anos, e as intervenções do Banco Central no mercado futuro da moeda norte-americana, por meio da oferta dos contratos de swap cambial ? instrumentos que funcionam como venda de dólares no mercado futuro, com impacto no mercado à vista ? também impactam a cotação do dólar no Brasil.

Nos Estados Unidos, a expectativa dos analistas é de continuidade da retirada de estímulos à economia, que começa a dar sinais de recuperação. No futuro, pode haver até mesmo aumento de juros nos Estados Unidos, o que tenderia a gerar retirada de dólares do Brasil, em direção aos EUA, e pressão de alta na cotação da moeda norte-americana.

O BC brasileiro, porém, também tem prosseguido com suas intervenções diárias no mercado com os swaps cambiais. Recentemente, o BC anunciou que aumentará as intervenções diárias no mercado futuro de câmbio - o que ajuda a conter uma pressão de alta do dólar no país.

Os analistas do mercado financeiro acreditam que o dólar terá alta até o final deste ano. Pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, revela que a previsão dos economistas para o dólar, no fim de 2014, é de R$ 2,45.

Como funcionam os swaps cambiais
Os swaps cambiais são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento deles, o BC se compromete a pagar uma taxa de juros sobre valor dos contratos e recebe do investidor a variação do dólar no mesmo período.

É uma forma de a instituição garantir a oferta da moeda norte-americana no mercado, mesmo que para o futuro, e controlar a alta da cotação. Assim, o BC acalma a procura por dólares sem mexer nas reservas internacionais.

O investidor, preocupado com a tendência de alta, tem interesse em comprar dólares. Quando aceita a operação, fica estimulado a querer a queda ou a manutenção do dólar, para que não tenha que pagar ao banco mais do que receberá em juros. Essa taxa, normalmente, acompanha a Selic, que é a taxa básica da economia brasileira e hoje está em 11,25%. Se o dólar tiver variação acima disso, por exemplo, quem perde é o investidor.

 

 

Fonte: G1

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